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Ao transpor a ombreira da porta do restaurante um arrepio apoderou-se do meu corpo, coeçando pelos pés, libertou-se na ponta dos cabelos e desapareceu. Lá fora a noite estava excelsa, apesar da diferença de temperatura a que rapidamente me habituei. Fui mais uma vez junto da praia, apreciar o extenso areal, agora praticamente deserta. Ao longe, alguém passeava pela orla das ondas em direcção ao rio das maçãs. O Sr. Júlio, semente e fazendeiro daquela terra, um velhote simpático que passava os dias a contemplar o mar e contar histórias, contara-me no outro dia a história daquela praia:
(...)
Apesar da magnífica vista do alto das Azenhas do Mar, a praia deixava algo a desejar. O reduzido areal que quase desaparecia ao sabor das marés não combinava com o meu desejo de passar uma manhã na praia. Assim, todas as alvoradas depois da minha corrida matinal, dirigia-me à praia das Maçãs ou outra qualquer das redondezas.
(...)
Quando pasei a zona de rebentação e psiava a areia em busca de suporte, procurei a minha toalha e eis que reparo num jovem bem parecido de porte atlético debruçado sobre a minha bolsa:
- Ladrão, ajudem-me! - as palavras sairam instantaneamente, talvez devido á quantiddae de roubos a que já estava habituada na cidade do PortoO João, reagindo à minha voz como se fosse a de um mestre, imediatamentecaiu no encalço do larápio, juntamente com os seus três amigos. Juntei-me à perseguição.O rapaz saiu disparado da praia e virou á direita em direcção a Colares. Apesar da sua agilidade e velocidade, todos aqueles que o perseguiam incluindo eu não ficávamos atrás e, não sei se pelo efeito de grupo ou pelo desejo iminente de alcançar algo, íamos encurtando a distância que nos separava.Ao chegar ao estacionamento da Piscina da Praia das Maçãs um dos amigos do João, num gesto preciso e calculado, passou uma rasteira ao fugitivo que imediatamente perdeu o equilibrio, deslizando no alcatrão.Ficou com um aspecto lastimável, o peito escorria sangue e exibia profundos arranhões, tal como as mãos e os joelhos. Por sorte a cara fora poupada, mas por pouco tempo. Imediatamente outro dos amigos do João, num ímpeto de fúria aplicou-le uma valente murro.Aiiii! Porra! - o gemido ecoou pelas redondezas e as pessoas começaram a voltar-s e na nossa direcção.