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No jornal "O Primeiro de Janeiro" (jornal portuense) de ontem vem um artigo sobre Olga Cadaval, onde o ensaista refere para além da obra da Marquesa, uma viagem a Colares para alugar uma casa que lhe pertencia.
Esta circunstância faria com que, anos depois, por altura do chamado «Verão quente» de 1975, viesse a receber uma chamada telefónica deste meu amigo a perguntar-me se não estaria interessado em arrendar uma casa antiga em Colares, mobilada e acabada de restaurar. Acontecia que a Casa Cadaval tinha duas habitações geminadas, situadas numa quinta à margem da estrada Sintra-Colares, que haviam ficado devolutas e corriam o risco de ser ocupadas, ameaça que pairava no ar trazida pela onda revolucionária que varria então o país e atemorizava os proprietários. Situavam-se essas casas cerca de 500 metros abaixo da Quinta da Piedade, onde vivia Olga Cadaval. Se estivesse interessado caber-me-ia uma delas. A outra estava já reservada para o meu amigo Luís.
Não tardou que lá fôssemos num fim de tarde, «Lisboa deixada», a ver as casas, debruçadas ambas sobre a velha povoação de Colares e a sua várzea, com compreensível perplexidade da minha parte, perante aquela inesperada e tão aliciante proposta.
O tempo foi passando, tendo começado entretanto o nosso relacionamento, tornando-nos presença assídua na sua casa da Quinta da Piedade, quando havia aí recepções e acontecimentos musicais, ou sempre que cumpríamos pessoalmente as nossas obrigações de arrendatários. O ano combinado depressa se esgotou. Fomos ficando. Mais dez anos decorreriam até à nossa saída da encantadora casa de Colares, tendo-se mantido até final, e para lá desse final, o excelente convívio com aquela nossa tão afável e generosa Amiga.
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