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Falar de Galamares nos últimos 50 anos é falar da esplanada do Alcino,as Caves de S.Martinho,inauguradas em 1949,e que durante décadas funcionou como pensão,restaurante e café.Muitos de nós,veraneantes dos anos sessenta e setenta ,ali assistimos ás tertúlias nocturnas de Agosto quando as famílias da capital vinham a banhos,e alugavam toldo ao mês na Praia das Maçãs,e se vestiam para ir á noite ao café,local de encontro social onde chegou a haver uma jukebox,se admiraram os shows de ilusionismo do Xaimix-ainda vivo,felizmente-e se chegou a pagar para assistir aos jogos do Mundial de Inglaterra,em 66,numa das primeiras televisões que por cá apareceram,ainda abauladas e com falhas regulares na ligação á Eurovisão.
E havia o Salão,com cinema e teatro(cinco escudos dois filmes,em 1970),e os matraquilhos "ao perde paga",e apanhavam-se enguias no rio,e tocava-se viola e ficava-se na conversa até ás 5 da manhã encostados aos muros das casas até que os galos da manhã cantavam e o carro do lixo começava o serviço..
Não é o reviver o passado em Brideshead,nem nenhum filme neorealista italiano,mas Galamares também teve os seus anos de brilho,cristalizadas que estão as memórias das nossas infâncias.!Como parecia longa a viagem de 4 horas entre Lisboa e Sintra,por dentro da Amadora e Massamá (ainda sem prédios),e os carros da Sintra Atlântico e do Eduardo Jorge,os pêssegos gigantes e as maçãs reinetas,e as noites cacimbadas a falar de tudo(até política...) no velho café do Alcino,inventando peças de teatro radiofónico .
E quem não lembra no pós 25 de Abril o primeiro comício em Liberdade no Carlos Manuel,com Salgado Zenha e o Zé Alfredo,e o Sargo Júnior,advogado madeirense exilado em Sintra por Salazar desde os anos 30 e da revolta do general Sousa Dias...
E o fogo de 1967?E as cheias de 83?
São muitas memórias,e sempre á sombra sentinela das Caves,e das Nozes Douradas,dos travesseiros e dum microcosmo que hoje na Alagamares queremos perservar,venerar e dinamizar.
Um dia a história de Galamares ainda há-de ser escrita,porque dos locais,cheiros,visões,pequenas e grandes alegrias e tragédias se constrói o passado que se quer deixar como testemunho,vivo ou escrito.E agora vou ás Caves beber uma imperial que já apetece.Boa noite!
Uma óptima memória de Fernando Morais Gomes no Alagamares