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Ninguém acredita quando digo que não gosto de viajar. Ou antes, viajei muito e sempre em trabalho, e, hoje, para mim, o remanso do lar, ou o sossego absoluto são o que mais ambiciono. Isto por causa das 7 Maravilhas. Não é um ataque súbito de patriotismo.
É absolutamente verdade o que sinto. Vi o sol da meia-noite nos fiordes da Noruega, vi Leninegrado antes de voltar a mudar de mundo, vi praias cristalinas, imensas, vi cidades magníficas e, contudo, para mim, basta-me Sintra para ser feliz.
Em lugar algum o verde tem aqueles milhares de tons, a neblina casa com o Palácio da Pena e as pequenas habitações, há locais secretos por todo o lado. Há quem acredite que Sintra é um local esotérico e, desde tempos imemoráveis, que gentes ali se deslocam para encontrarem o centro do mundo.
Por mim, não sei explicar Sintra. Sei do mistério da luz que aparece e desaparece nos vitrais, nas árvores, nos caminhos. Sei que, quando ali chego, sinto que entrei noutro tempo, noutro século, noutra dimensão.
E o mar ali perto, mas o mar selvagem, não falo das praias onde as pessoas, como bacalhaus a secarem, pejam a areia. Não. O mar que se abrange de tantos lugares perto da cidade.
Um mar poderoso e a perder de vista, que ruge e come as enseadas. Sintra é a minha Maravilha. O local onde posso descobrir todos os anos, e já lá vão tantos, algo de novo. Lord Byron tinha razão.
Luisa Castel-Branco
No jornal Destak, 10/07/2007