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Em Almoçageme as fantasias são tratadas com doses terapêuticas de caridade.
O espírito da aldeia – a bondade e a sabedoria em pessoa – é a Maria, casada com o senhor Amorim do Café Moínho Verde. Ela é energia; inteligência e generosidade. É um ser superior que gosta dos outros: é ela que trata dos pombos do largo, dos gatos, dos cães e de todos os outros bichos que têm mais azar do que nós.
As pessoas de Almoçageme são boas amigas da verdade. Odeiam a hipocrisia e a conversa de chacha. Dizem o que lhes vai na alma. Mas falam sempre com empatia; com delicadeza perante os recém-chegados, como nós.
As conversas que ouço são sempre lições amistosas: ensinam-me a ser humano. O sentido de humor é magnífico: a Dona Palmira, uma senhora que encontro no Eles e Elas do Senhor Cesaltino e da Dona Ana, é uma maravilha constante.
Esta aldeia é uma aldeia a sério. Ensina-nos a viver. Não exclui os que cá chegam. Aprende-se a dar valor à vida. Já não é pouco. É mais.
Ontem a Maria ralhou comigo por dizer mal do mês de Março que tinha mudado para frio e cinzento, afirmando com a razão dos séculos e da ciência, que "o mês de Março é mesmo assim".
É verdade que falta muito Março; que ainda vem aí Abril e que Maio nunca é tão bom como se pensa.
A nossa terra devolve-nos (reúne-nos, se alguma vez estivéssemos ligados) ao tempo que é o nosso.
Nós agradecemos. É a nossa sorte vivermos em Almoçageme. Morarmos cá é uma reles questão secundária.
Obrigados, Almoçageme!

Este ano foi um ano mau para a fruta de caroço. E em Colares não houve excepção.
Há muito poucos pêssegos-rosa este ano, e os que há, vêm com bicho. Uns bichos que aparecem milagrosamente dentro dos pêssegos e nos vedam o prazer de comer um pêssego com casca, à dentada.
Enfim, sempre é possível fazer uma sangria com os quadradinhos que se conseguem cortar, ou como a família dos Pamposos aprecia / apreciava, mergulhar os quadrados de pêssego rosa em vinho e comê-los bêbedos.
No Público de hoje, Miguel Esteves Cardoso dedica a sua crónica a estes bichos.
Os BPR [Bichos do pêssego-rosa] nascem quando o pêssego está em flor, aninhando-se no caroço, à espera que a polpinha pesseguda cresça à volta deles. Como são protegidas pelo próprio pêssego nunca o comem completamente. Deixam sempre metade para nós. Só quando os pêssegos não prestam ou estão verdes é que não aparecem. Está certo, porque metade de um pêssego perfeito é vinte vezes melhor do que um pêssego horrível inteiro.
Foto de Fátima Fonseca.
Neste fim de Julho as praias de Colares têm recebido montanhas de areia, enterrando rochas e criando praias novas. As praias daqui mudam de dia para dia, mas este mês parece que mudaram de continente. É como se fossem praias novas, com mares (e perigos) até agora desconhecidos.
De repente, percebemos que a praia da Adraga, a praia Grande, a praia Pequena e a praia das Maçãs são, no fundo, apenas uma só magnífica praia, interrompida não tanto pelas arribas como pelos acidentes dos areais. Reaparecem lagoas mágicas.

Texto de Miguel Esteves Cardoso (Público, 26/07/2013, p. 47).
Foto João Gonçalves, colocada no perfil Praia Grande.

O acontecimento do Verão em Colares, na versão sempre bem escrita de Miguel Esteves Cardoso.
Jornal Público dia 18 de julho de 2013, p. 53.
Em agosto de 2009, aconteceu uma brincadeira sobre Colares, isto é, a melhor freguesia. O "caso" nasceu com as crónicas de Miguel Esteves Cardoso no Público e teve o seu auge na citação dos blogues nas crónicas.
Na altura houve muitos posts sobre o assunto e escapou-me este comentário do próprio MEC no Rio das Maçãs.
Obrigado pelo elogio, Pedro e António!
Na verdade, sou um mero banzense - nem sequer um colarejo - e só estamos cá a viver há 6 meses, mas já é só aqui que nos sentimos em casa. Não por nenhuma razão especial: por muitas. Vive-se melhor aqui (o clima; as pessoas; as paisagens; a luz; a comida; o mar) do que em todos os lugares que conheci.
O Rio das Maçãs e o Colares foram os dois blogues que nos convenceram a vir viver para esta casa.
Maria João e Miguel Esteves Cardoso
De notar que, como seria de esperar, MEC utiliza o utiliza o gentílico que sempre tenho defendido como correto - colarejo - e não o colarense que foi adotado popularmente.
Adicionalmente, existe ainda a simpatia de sugerir que o Colares e o Rio das Maçãs foram intervenientes na decisão da mudança para Colares.
Na realidade, Pedro Macieira faz um trabalho muito mais sério e constante do que eu, ausente muitas horas e com outras prioridades definidas. Ainda assim, fico satisfeito com tal comentário.
Aqui está a melhor crónica de sempre de Miguel Esteves Cardoso.


Duas crónicas de Miguel Esteves Cardoso, 04 e 07 de junho respetivamente. Um tema curioso, o problema da Bandeira Azul.
Li ainda que MEC também já cedeu às praias de Cascais. É aqui tão vizinho e dá para nadar. Não tem é mexilhão.
No que respeita à Bandeira Azul, nunca liguei muito a isso. O importante é ter condições de segurança e nadadores-salvadores com capacidade de trabalhar no mar bravo. As nossa praias não têm mais de dez dias de bandeira verde por ano e nunca mais de cinco consecutivos.

Hoje, às 8.15. Às 9.00 um calor abrasador em Lisboa. Ontem foi o dia mais quente do ano. Hoje estava chuva molha-tolos.

Dia 15 de Maio. :)
Os pêssegos, sozinhos, constituem o sexo feminino de todas as frutas. O artigo está mal posto.
Os pêssegos-rosa de Colares (que tanto vêm de Janas, como do Mucifal, ou de Fontanelas ou da Adraga, como até, em casos limítrofes, de Colares), são um milagre que só nos resta aceitar.
Duram, quanto muito, quatro dias em Agosto. Nem tanto. Os pêssegos são melindrosos e massacrados não só por moscas mediterrânicas como por melros e pardais bem portugueses. Todos sabem o que é bom. A fruta com bicho é aquela que a natureza (ou Deus, conforme se preferir) abençoa.
Os pessegueiros são bravos – nem sequer precisam de ser regados. Morrem muito novos. São predispostos à desgraça. Mas, caso se safem, abençoam-se de sabor. E o cheiro enche uma sala inteira de amor.
Anteontem, disseram-me, deixou de haver “nas árvores”. Os poucos que restam estão em frigoríficos: “senão, não havia até ao fim de Agosto”.
Armado em bom, eu disse ao distinto casal de fruticultores de Janas que me abasteceu, que eu tirava sempre os pêsegos do frigorífico duas horas antes de comê-los.
“Duas horas antes?” Fartaram-se de rir! Então explicaram-me, com graciosa condescendência e generosidade, que os pêssegos-rosa têm de ser “tirados à noite, para o outro dia". Seja: precisam de uma noite escura e fresca para recuperar a fragância e a suculência.
De noite não apodrecem. Repôem-se bons, enquanto dormimos. Era este o segredo que me estavam a dizer.
Miguel Esteves Cardoso, 23 de Agosto de 2009, Jornal O Público.

(texto e foto via Rio das Maçãs)
Já ando a piscar o olho a alguns, ainda verdes.. ;)