por Nuno Saraiva, em 06.12.06
Crónica de Pedro Rolo Duarte no DN, onde conta que teve há anos um moínho em Almoçageme
Quando ouvi pela primeira vez o anúncio - "IC19 - Será que este martírio vai ter fim?" - recuei mais de 20 anos no tempo. Voltei aos meus 21 anos e ao romantismo absolutamente tonto que me guiava à época. O romantismo levou-me então a alugar um moinho às portas de Almoçageme, uma pacata aldeia entre Colares e a praia Grande, e a ir viver para lá, na ilusão de que ser jornalista significava não ter horários e, por conseguinte, poder fazer o trajecto Sintra-Lisboa sempre "contra o trânsito". Percebi depressa que não há trânsito "a favor". Nunca. O trânsito é algo que está sempre contra nós, e a faixa ao nosso lado rola sempre mais depressa do que aquela em que circulamos.
Crónica