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A Páscoa do Mexilhão

por Nuno Saraiva, em 19.04.14

 

Colares foi bafejada pela sorte. Tem a sorte de ter Miguel Esteves Cardoso a escrever amiúde sobre o que se passa na freguesia e nas freguesias vizinhas que têm os mesmos encantos (afinal é apenas uma linha administrativa que nos separa).

 

Escrever depois do MEC é como discursar depois dum show man ou como num programa de talentos cantar depois da grande sensação.

 

Como escreveu o Nuno Moreira na rede social efémera, onde tudo desaparece ou vai desaparecer, quanto MEC escreve sobre um assunto não há mais nada a acrescentar, e, tudo o que se possa escrever é pior.

 

Ontem e hoje está a acontecer o festival do mexilhão em Colares, e com enorme sucesso. Fico muito feliz pela ideia. São estas coisas que fazem falta ao turismo colarejo. Nem sei como ninguém teve esta ideia mais cedo. Parece-me, agora, universalmente óbvio que Colares tem de ter um festival destes. Se há sítio para haver um festival do Mexilhão é em Colares.

 

Para o ano, vamos repetir, vamos divulgar mais, vamos tentar chegar às TVS. Vamos trazer mais gente para Colares.

 

Sabemos que, a atracção de Colares não é a qualidade balnear que maioria das pessoas gosta (mar calmo, água quente, muita areia). As praias são ao contrário o que também é muito apreciado por outros: Mar agitado, água fria.

 

Mas acima de tudo, o Verão de Colares é sossegado e é tudo muito bonito. Temos a praia, as arribas, o pinhal a serra.

 

Afirmemos a estadia e a capacidade de alojamento. E mostremos a nossa tradição: O peixe, os "percebos", o mexilhão. Principalmente o mexilhão na Páscoa.

 

 

(Foto de Júlio José Silva)

 

Crónica do Mestre, dia 18/04/2014, no caderno life&style do jornal Público, disponibilizado aqui.

 

Hoje é um bom dia para vir à Praia das Maçãs comer mexilhão. Nas rochas vêem-se pessoas a apanhar mexilhão e, caso apanhem mais de três quilos ou apanhem mexilhão pequeno de mais, a serem multadas. 

As multas rendem mais do que o mexilhão. Também é preciso coragem para comer o mexilhão das nossas costas. O mexilhão, ao contrário do percebe, não tem jeito nenhum para expulsar os venenos e é por isso que as intoxicações são tão vulgares.

Os melhores restaurantes de Colares — entre os quais o Neptuno, na Praia das Maçãs (cozinheiro Paulo) e a Adega das Azenhas (cozinheira Lurdes) — juntaram-se para fazer um Festival do Mexilhão no Mercado da Praia das Maçãs. Mas o mexilhão não será selvagem, para não haver problemas. Será cuidadosamente escolhido e cozinhado. O festival começou ontem mas continua hoje, das quatro da tarde até à meia-noite. 

A entrada é livre e cada pratinho de mexilhão só custará 5 euros. Haverá mexilhão ao natural, mexilhão à Bulhão Pato e mexilhão à espanhola. Todas as bebidas — cerveja, vinho, refrigerante ou água — custarão 1 euro cada uma.

O mexilhão foi comprado ontem, pelo que não poderia estar mais vivo ou mais fresco. É a vantagem de um festival que dura apenas dois dias: não há tempo para nada envelhecer. Outro trunfo é o facto de o festival se realizar nas instalações (recém-renovadas) do Mercado da Praia das Maçãs. As vendedoras de frutas e de hortaliças são excelentes. Digo isto porque muitas vezes a preparação de moluscos à Bulhão Pato é prejudicada por alho de baixa qualidade e coentros menos do que fresquíssimos.

Também haverá bifanas e outros petiscos para quem não quiser dedicar-se integralmente ao mexilhão. 

Num louvável espírito de cooperação — não estivesse a freguesia de Colares entre as mais simpáticas de Portugal — não haverá uma dúzia de barraquinhas, cada uma ocupada por um restaurante diferente. Haverá uma única cozinha central, sob a supervisão dos entendidos dos restaurantes.

É preciso avisar que aqui em Colares come-se mexilhão todos os dias ao longo de todo o ano. Todos os restaurantes sabem cozinhá-lo com respeito e sabedoria. O mexilhão vem do Norte de Portugal. Não encontrará aqui mexilhão da Nova Zelândia.

Um dos prazeres é falar do mexilhão com os habitantes e os cozinheiros. Toda a gente tem histórias engraçadas sobre a apanha do mexilhão. Discute-se o calibre do mexilhão: o maior e mais caro vai para Espanha, onde estão dispostos a pagar mais por ele.

O mexilhão sabe melhor quando se está a olhar para ele: é o caso da Praia das Maçãs, com as rochas cobertas de mexilhão (e de percebes que são muito bons e mais baratos do que em Cascais ou Lisboa).

O festival é organizado pela excelente Junta de Freguesia de Colares e pelo Clube Recreativo da Praia das Maçãs. São garantias de qualidade e de autenticidade. Sabem o que fazem e trabalham e moram cá todo o ano.

Depois, se ficar inspirado, pode entreter-se a experimentar o mexilhão de todos os restaurantes que participaram (e de outros que ficaram de fora, como o Búzio) no festival. Cada um tem um jeitinho especial e cada um é delicioso à maneira dele.

Na Bélgica, há muitas maneiras de cozinhar mexilhões e o acompanhamento tradicional são as batatas fritas. Em Portugal, o acompanhamento do mexilhão é o bom pão, para ensopar o molho. Assim será na Praia das Maçãs. 

Terá é de ir hoje, sábado: o segundo e último dia. O próximo Festival do Mexilhão da Praia das Maçãs só será daqui a um ano. Uma ideia romântica será apanhar o bonito eléctrico que vai de Sintra à Praia das Maçãs e vice-versa. O mercado fica ali a uns passos. O passeio é barato e encantador, mas não é para quem tem pressa.

Se chover, não faz mal. O mercado foi todo renovado, com um telhado novinho em folha, que não deixará passar uma única gota.

Se estiver sol, pode integrar a mexilhoada com uma ida à praia, sempre a pé.

Aleluia

 

Notas finais: Não consigo deixar de dizer "percebos". Aprendi assim e não consigo corrigir para percebe, perceve, ou perceba que são os nomes corretos. Para mim são "percebos".

 

Ontem fui a São Pedro de Sintra e era impressionante a quantidade de espanhóis que por lá circulava. Parecia que estava numa vila espanhola com noventa por cento dos carros com matrícula espanhola. Se conseguíssemos fazer do mexilhão o ex-líbris da Páscoa em Sintra, estes turistas são uma mina por explorar.

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publicado às 12:26

O vice-presidente da autarquia de Sintra e vereador com o pelouro do Ambiente, Marco Almeida, adiantou à agência Lusa que «a câmara não vai hastear as bandeiras azuis» nas praias da Adraga, das Maçãs e de São Julião «como sinal de protesto pela falta de lealdade da ARH para com o município».

«Assumimos com a ARH a apresentação das candidaturas à Bandeira Azul nas cinco praias que estão concessionadas e fomos confrontados que a praia do Magoito não seria possível candidatar por causa da instabilidade das arribas. A câmara de Sintra é penalizada numa bandeira azul quando não tem nenhuma responsabilidade pelo facto de haver instabilidade na arriba», considerou o vice-presidente, adiantando que essa responsabilidade pertence «à administração central».

«Mais grave do que isso foi termos sido confrontados, na fase final para atribuição das bandeiras, que a praia Grande também não teria Bandeira Azul por causa do numero insuficiente de casas de banho, que é da responsabilidade dos concessionários, que por sua vez dependem directamente da ARH. A outra razão prende-se com um problema de saúde pública pois a cafetaria na zona sul estava instalada na zona de estacionamento que está em terra batida, e o pó levantado pela circulação automóvel prejudicava a qualidade dos alimentos», disse.

Segundo Marco Almeida, «não deixa de ser estranho que a cafetaria tenha sido autorizada pelo Parque Natural Sintra Cascais em 2008”, tendo a câmara proposto “meter o alcatrão no parque de estacionamento para evitar o pó, proposta não autorizada pelo Parque Natural Sintra Cascais».

«A câmara de Sintra é prejudicada em áreas onde não tem nenhuma responsabilidade e então eu digo que a Bandeira Azul é uma falácia, é um faz de conta. A câmara é responsável pela candidatura mas não é a nós que compete garantir os requisitos de qualidade de alguns critérios da Bandeira Azul», adiantou.

Para Marco Almeida, o facto de a autarquia não hastear este galardão «não será prejudicial», uma vez que as praias do concelho «têm qualidade».

«Do ponto de vista do mobiliário (passadeiras, eco-pontos, chuveiros, bancos) foi tudo colocado pela autarquia. Limpamos as praias e fazemos a recolha dos ecopontos diariamente. Fazemos sistematicamente análises à qualidade da água e das areias, portanto as praias de Sintra não precisam da Bandeira Azul para garantir a qualidade», considerou.

 

Notícia da LUSA, encontrada no SOL

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publicado às 23:35

Uma coisa é certa. A oferta de camas para potenciais visitantes à zona de Colares é diminuta.

 

Quercus, PNSC, Reserva Ecológica Nacional, do Plano de Ordenamento da Orla Costeira, e outros indivíduos e outros malucos nunca se entendem e o desenvolvimento da Freguesia de Colares é sempre amputado.

 

Preferem ver as Azenhas a degradar-se, as praias a degradar-se? As nossas localidades a ficar desertas, à noite por não haver casas, de dia por não haver empregos.

 

Um projecto deste tipo era verdadeiramente estruturante, importante, vital - nem há adjectivos - era o melhor que podia acontecer à região.

 

Claro que, tal como previsto, deve ser enquadrado na região, em pleno acordo com o Parque e Ministério do Ambiente.

 

No Público de hoje, vem a notícia que movimento cívico estuda acção judicial para boicotar o projecto.

 

Se este movimento cívico, fosse um grupo de pessoas da região, eu até entendia, e apesar de opinião adversa, encarava-o com naturalidade. Mas, na realidade, este movimento é vem de Associações tipo Quercus.

 

Podem por favor deixar COLARES CRESCER, e ir brincar às gaivotas para Lisboa?

 

 

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publicado às 11:32

Os azulejos

por Nuno Saraiva, em 13.01.08
O nome das ruas em toda a zona de Sintra, é afixado em azulejos. Todos os dias passamos por estes azulejos e nem damos conta.

Porém, que cá vem, pode considerar tal facto, estranho, belo ou diferente.

É sempre interessante ler o que tem para contar aos amigos, para mostrar ao mundo quem visita Sintra.

We decided to be tourists today and drove through Cascais to Sintra. We stopped along the way at the Jumbo grocery store for some groceries for lunch, and bought some deep fried bacalhau and went off to Sintra, which is only about 11 kms inland. It’s a mountain village that was the place where the royals enjoyed their summer holidays. It’s no doubt cooler than in Lisbon and more pleasant in the hot months. We wandered around the lovely village with very narrow streets and beautiful ceramic tiles everywhere. Then we visited the National Palace.

Liesing life

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publicado às 15:14

Colares e a Blogosfera

por Nuno Saraiva, em 05.09.07
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Ia bebê-lo em Sintra, acompanhado do meu travesseirinho mas, no fim do IC19, deu-me para seguir os trilhos das praias.

Fui até próximo da Ericeira e lembrei-me de ir até às Azenhas do Mar, voltei para trás e, para azar meu, já quase meio-dia, entrei no Pôr do Sol, desta terra linda, e disse: “é já aqui”!


 


Com a anuência da minha mulher, perguntei, a uma moça, se me serviam dois cafés, pois era quase hora de almoço, mas eu tinha um compromisso e não poderia almoçar lá. Disseram-me que sim e apontou-nos uma mesa redonda, à entrada da porta, do lado direito. Ao entrar estava um casal a almoçar, se calhar, gente da casa.

A moça lá serviu os cafés e eu fiquei logo a dizer mal da vida, pois os cafés não prestavam para nada. Enquanto esperava o café, combinava com a minha mulher ir lá almoçar um dia destes. Mas apesar dos cafés nos desiludirem, fui compensado com um cinzeiro de pau-preto que estava sobre a mesa e que dizia em seu redor – Moçambique. Esta palavra despoletou-me os pensamentos para as costas do Índico e esqueci-me do café.


 

Mas quando eu bebo um café reles, fico logo com o dia estragado e mais estragado ficou quando vou pagar dois cafés que não valem nada e a moça me pede 2,20€! Claro que ninguém me mandou lá ir e se à primeira qualquer pato cai, à segunda só cai o pato que quer. Se os cafés fossem bons eu pagaria de bom grado, mas assim custou-me bem.
Resultado desta conversa. Nunca mais lá haverá almoço para mim! Não era por acaso, apesar de ser ainda cedo, que o Pôr de Sol estava vazio. Se os almoços forem como os cafés, estará tudo dito.

Mas eu sou sempre compensado e este amigo logo veio ter comigo junto às flores e disse-me que o melhor que tinha a fazer, era apreciá-lo a ele e à paisagem e foi o que fiz.


Depois iniciei viagem rumo ao destino, mas ainda, antes do almoço, parei em Colares para tirar mais umas fotos aos velhos eléctricos e à Cooperativa daqueles que foram (ainda serão?) grandes vinhos.

Agora vou falar-vos de uma Rosa. Uma Rosa especial que espero ande por aí neste rectângulo florido. Uma vez encontrei aqui uma Rosa e …

Foi exactamente aqui neste trilho do eléctrico, talvez já com uns carris novos, que eu encontrei uma das minhas Rosas perdidas. Foi em 1962. Desde esse dia nunca mais a vi!
Ia a passar com um tio meu e um amigo e reparei numa Rosa de Adrão que passava sobre o Carril do eléctrico. Disse ao meu tio que ia ali uma moça de Adrão. Ele parou o carro e disse-me para ir falar com ela. Como eu sabia que ele ia com alguma pressa, disse-lhe que não, que ficaria para uma próxima oportunidade. Ele disse-me que essa oportunidade poderia nunca mais existir e que a aproveitasse nesse dia. Verdade, verdadinha, essa oportunidade nunca mais se deu! Veio a Força Aérea, veio a Guerra, no Ultramar, e desapareceu o tempo. O tempo que então sobrava! Eu sabia que ela morava com os pais e uma irmã, em Colares, mas não sabia onde e como Colares era uma terra pequena, a oportunidade existiria, pensei, mas enganei-me. Hoje estive lá e acho que se fosse chorão, teria chorado por não aproveitar essa oportunidade. Soube mais tarde que essa Rosa foi Professora, (será?) por aí, algures, e até lá por Braga, mas nunca mais a vi!

Por isso, posso garantir-vos que nunca é bom deitarmos as oportunidades fora. Éramos crianças e poucas vezes nos víamos. Apenas, quando ela ia à terra matar saudades. Dois ou três anos depois, vi-a aqui no trilho dos eléctricos e sempre que lá passo, vejo-a caminhar serena rumo a um destino que foi o dela.


Este texto tem quase dois anos. É algo muito bem escrito, É o exemplo de como uma coisa banal como dois cafés podem fazer perder (ou não ganhar, para os mais preciosistas) um cliente.

Update:
Texto de Ventor visto aqui.
 

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publicado às 23:04


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