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Colares e a literatura brasileira

por Nuno Saraiva, em 23.04.07
Quem leu este post sabe que eu defendo a palavra colareja como sendo o gentílico de Colares.

Em suma, a abundância de fruta e legumes na zona de Colares era tanta, que qualquer mulher que exercesse essa profissão, era apelidada de colareja. E não há que esconder o passado, muitas vezes era referida de forma pejorativa; como mulher rude, inculta e barulhenta, um pouco à imagem de como por vezes usamos a palavra "peixeira"

Manuel Antônio de Almeida, um jovem médico,escritor e jornalista que escreveu um único livro -  que foi publicado episodicamente num jornal - pois morreu com 30 anos num naufrágio, usa a expressão colareja no seu romance, que retrata um romance na classe baixa.


Capítulo X
Explicações

O velho tenente‑coronel, apesar de virtuoso e bom, não deixava de ter na consciência um sofrível par de pecados, desses que se chamam da carne, e que não hão de ser levados em conta, não de hoje, que a idade o tornara inofensivo, porém do tempo da sua mocidade: o resultado de um deles fora um filho que deixara em Lisboa, fruto de um derradeiro amor que tivera aos 36 anos.

Poucos dias antes de embarcar para o Brasil em companhia del‑rei, estando o infeliz pai em preparativos de viagem, viu entrar‑lhe pela porta adentro uma mulher velha, baixa, gorda, vermelha, vestida, segundo o costume das mulheres da baixa classe do país, com uma saia de ganga azul por cima de um vestido de chita, um lenço branco dobrado triangularmente posto sobre a cabeça e preso embaixo do queixo, e uns grossos sapatões nos pés. Parecia presa de grande agitação e de raiva: seus olhos pequenos e azuis faiscavam de dentro das órbitas afundadas pela idade, suas faces estavam rubras e reluzentes, seus lábios franzinos e franzidos apertavam‑se violentamente um contra o outro como prendendo uma torrente de injúrias, e tornando mais sensível ainda seu queixo pontudo e um pouco revirado.

Apenas se achou ela em frente do capitão (era este o posto que tinha nesse tempo o velho) foi‑se chegando para ele com ar resoluto e enfurecido, O capitão recuou instintivamente um passo.

 

— Ah! Sr. capitão, disse ela por fim pondo as mãos nas cadeiras, chegando a boca muito perto do rosto dele e abanando raivosa a cabeça: olhe que isto assim não vai direito; fazer‑me andar a cabeça à roda... põe‑me os miolos a ferver... e eu estouro... já viu!...

 

— Mas o que há então, mulher?... Eu não lhe conheço...

 

— Não quero cá saber de nada... Já lhe disse que isto não vai bem... e eu estouro...

 

— Mas por quê?... o que é que tem?... É preciso que você diga...

 

— Não tenho nada que dizer... Estouro, já lhe disse, Sr. capitão!...

 

— Pois estoure com trezentos diabos! mas ao menos diga pelo que é que estoura.

 

— Não tenho nada que dizer... já lhe disse... isto põe a cabeça da gente como uma cebola podre, não tem lugar nenhum... Ir‑me por lá com ares de santarrão comprar frutas...

 

— Quem, mulher de Deus? Você não se explicará?

 

— Qual explicar, nem meio explicar! Pois então por ser cá a gente uma mulher velha, que já perdeu os achegos ao mundo, e ela uma pobre rapariga tola e bisbilhoteira, com vontade de saber de tudo, vir‑me cá a mim pregar o mono na bochecha, e a ela em lugar ainda mais melindroso...

 

— Mas quem é que pregou monos a você mais a ela? e quem é ela?...

 

— Faz‑se de novo! continuou a mulher exasperando‑se; pois o Sr. capitão já não tinha consentido no casamento?...

 

— Que casamento? com quem?

 

— Ai, ai, ai, que cá me anda a cabeça como uma nora solta... Pois o Sr. capitão não sabe que tem um filho?...

 

— Sim, sei, respondeu este começando a descobrir o mistério.

 

— E não sabe que ele é um pedaço de um mariola!... A isto o capitão podia, porém não se animou a responder afirmativamente, e perguntou somente:

 

— E que mais?...

 

— E não sabe também que eu tenho uma filha que trouxe do Lumiar, a Mariazinha?

 

— Como, se eu nem a conheço?...

 

— Pois é uma rapariga muito capaz... e o diabo do tal cadete do seu filho andou por lá a entender com ela muito tempo: namoro para cá, namoro para lá, presentes daqui, promessas dacolá... e afinal de contas... brás!... E então que lhe parece?

 

O capitão foi às nuvens.

 

— Até lhe prometeu casamento, dizendo que o Sr. Capitão consentia... Ora eu bem sei que ela também teve a sua culpa... mas eu desculpo isso, porque também já fui rapariga... e sei que quando começa cá o diabo no corpo, adeus! Mas isto põe a gente tonta, porque... enfim a rapariga podia vir a fazer fortuna.

 

O capitão tinha compreendido tudo, e por mais algumas explicações que se seguiram viu‑se reduzido ao maior aperto. Desta vez a diabrura do rapaz era irremediável. A mulher tinha toda a razão; porém casar seu filho com a filha de uma colareja... isso não poderia ser; além de que nada tinha que deixar ao filho, e só com o soldo de cadete não poderia sustentar mulher e casa, restando além disso a dúvida se ele estaria ou não pelos autos...


Manuel Antônio de Almeida, Memórias de um sargento de milícias, 1831

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publicado às 22:30

Como a princesa foy partida de Santarem, logo a raynha se partio pera o Moesteyro das Vertudes e dahi pera Alanquer, onde el-rey veo ter com ella e ambos se foram ao Moesteyro de Varatojo onde por devaçam estiveram alguns dias, e dahi foram ao lugar de Colares junto de Sintra, donde el-rey mandou fazer o apousentamento em Lixboa da corte pera se yr lá. E no mes d' Outubro se vieram aa cidade pera nella tirarem o burel que aynda todos traziam. E sem recebimento algum pola Mouraria foram decer e fazer oraçam ao Moesteyro de Nossa Senhora da Graça, e aas portas da cidade junto com Sancto Andre por onde entraram estavão todos os regedores, e oficiaes dela, e os fidalgos e cidadões todos a pee vistidos de burel e com as cabeças e rostos cubertos; e per hum lhe foy feyta hũa breve fala de confortos e oferecimentos, cuja reposta de hũa parte e da outra foram muitas lagrimas e saluços sem algũa outra palavra.

E acabadas as oraços no moesteyro se foram decer aos paços d' alcaceva e acabados d' apousentar a raynha foy logo ver a camara onde parira o principe; e indo ja cortada e trespassada da dor disse: "Filho, aqui nesta casa onde vós nacestes com tanto prazer e contentamento meu, aqui seria muyta rezam que eu morresse e acabasse tam triste e escusada vida, pois fuy tam desaventurada e desditosa raynha que perdi o nome de vossa mãy com que eu era tam bem aventurada; e ainda nam abastou perder-vos a vós, mas da maneira com que vos perdi, e sem de vós nem de mi ficar filho com que algũa ora me podesse confortar"; e com ysto cayo no chão como morta. Foram-no dizer a el-rey que andando tam cheo de payxões e tristezas acudio logo à pressa con remedios e confortos com que a tornou a seus sentidos e lhe pedio muyto que se consolasse.

 

Garcia de Resende - Vidas e Feitos D'EL-Rey Dom João Segundo - 1533.

Este trecho descreve os dias de Dom João Segundo e a Raínha D. Leonor após a trágica morte do filho Príncipe D. Afonso num acidente de Cavalo em 1491.

De destacar: Colares escrita em 1533 tendo apenas um "l", sempre pensei que se origem se escrevia com Collares e a mudança tinha sido recente.

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publicado às 14:39

Colares e a Literatura

por Nuno Saraiva, em 12.10.06
E entraram ambos na conversa geral, no momento em que os empregados acorriam a Luís Bernardo, servindo-lhe os hors d'oeuvres, um clássico do Hotel Central, seguido de um rodovalho assado no forno, com esparregado e batatas «princesa», acompanhado por um vinho branco de Colares.


Miguel Sousa Tavares - Equador

(enviado por Lucyta)

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publicado às 10:38

COLARES

por Nuno Saraiva, em 06.07.06

Este conjunto de textos reunidos pela Alagamares é indispensável para quem gosta de Colares.

Copio aqui um muito interessante sobre o mestre Eça de Queiroz

 

EÇA DE QUEIRÓS E O VINHO DE COLARES

"SINTRA NA OBRA DE EÇA DE QUEIRÓS", por João Rodil (2000)
Cap. IV -Eça e o vinho de Colares

"Amante e boémio, com os poderes desinibidores capazes de fazerem espoletar o amor, ou, ao invés, bálsamo atenuante para desilusões amorosas, o vinho ocupa na vida e na literatura um lugar proeminente. Eça de Queirós, homem muito dado a petisqueiras - que concorreram, em boa parte, para a sua morte -, escritor que deu particular atenção aos amores tempestuosos, apresenta um vasto cardápio de vinhos ao longo da sua obra. De todos eles, um se destaca: o vinho de Colares.

De longínqua tradição, encimando a famosa lista da viticultura nacional, o vinho de Colares contém particularidades únicas, que o tornaram ao longo dos anos num dos mais apreciados vinhos do mundo. A sua famosa casta Ramisco, cuja vinha é abacelada em terrenos arenosos do litoral e sujeita ao micro-clima existente na região sintrense, produz um vinho de bouquet magnífico, cheio de delicadeza, sabor e perfume agradáveis, e com pequena percentagem de álcool.

A dúvida ainda subsiste quanto à data da plantação dos primeiros bacelos na região de Colares. Mas a expansão da vinha na Península remonta à mais alta antiguidade. Políbio fala dos vinhos da Lusitânia como sendo dos melhores da Europa, um século antes da era cristã. No foral afonsino de Sintra (1154) consta que se cultivava, já naquele tempo, a vinha na região. D. Afonso IV pretendeu animar a cultura da vinha, porquanto na doação que em 1255 fez do Reguengo de Colares a Pedro Miguel e sua mulher, Maria Estevão, foi com obrigação de plantar vinhas, o que levou o Visconde de Juromenha, na Cintra Pinturesca, a levantar a hipótese de ter este rei ali introduzido cepas originárias de França, pela semelhança deste vinho com alguns daquele país.

D. Dinis, que tão grande impulso deu à agricultura, entre as doações que fez a seu filho, o infante Pedro Afonso, em 1301, contam-se uma adega, diversas vinhas, terras, azenhas e outros domínios situados em Sintra e seus arredores. No Livro das Colheitas de D. Afonso IV, discriminam-se as colheitas efectuadas na Vila e seus arrabaldes, verificando-se que a produção do vinho era, à época, de três modios em Sintra e três modios nos arrabaldes. Segundo alguns cronistas, o desenvolvimento dos vinhedos permitiu que no reinado de D. Femando I (1367-1383) se fizesse o primeiro movimento de exportação de vinho.

A região de Colares possuía, então, uma viticultura florescente, que, a par de outras valiosas plantações, davam à Vila uma importância significativa. Por tal, D. João I, em 20 de Agosto de 1385, logo após a Batalha de Aljubarrota, entrega, por doação, a vila de Colares ao Condestável D. Nuno Álvares Pereira.

D. Manuel I, que atribuiu foral a Colares em 10 de Novembro de 1516, aumentou os privilégios que gozavam os agricultores da região, o que deu novo impulso à vinha. Nos documentos comprovativos do aviamento e carregação das naus que se destinavam à Índia, nota-se que o vinho de Colares era um dos preferidos. Por esta altura, na Crónica do Imperador Clarimundo (1520), João de Barros faz larga referência aos frutos do vale do Rio das Maçãs e, nomeadamente, ao vinho de Colares.

Estes elementos que vimos anotando, apenas corroboram a tradicional afirmação de que desde o séc. XIII, tem carta de nobreza o afamado Ramisco de Colares. Em 1865, os vinhais do país foram, em grande parte, devastadas pela filoxera. Mas os vinhais de Colares ficaram incólumes, para o que muito contribuíram as condições dos terrenos arenosos, em que o terrível insecto não encontrou modo de penetrar.

Por isso, a categoria do vinho de Colares impôs-se, fazendo dele o primeiro vinho de mesa nacional. É, portanto, com naturalidade, que vamos encontrá-lo mencionado com frequência na nossa literatura, nomeadamente na obra queirosiana.

Em Alves e C. a, O vinho de Colares ocupa um lugar de destaque nos produtos que Godofredo Alves negoceia, através da sua firma de exportação. Ao que parece, as colónias africanas eram grandes consumidores: «- O Sr. Machado deixou alguma recomendação a respeito do vinho de Colares para Cabo Verde?». Uma das facetas da bebida é, sem dúvida, o seu poder calmante, sobretudo se se trata de desgosto amoroso. Assim vamos encontrar Godofredo, depois de ter descoberto o adultério que sua mulher, Ludovina, cometera com o seu sócio, o Machado. É num jantar em sua casa, com alguns amigos: «Houve um curto silêncio. Medeiros gabou o Colares. E Carvalho, a respeito do Colares que ele costumava beber em Cabo Verde, lembrou um caso de duelo, lá, em que ele fora testemunha».

Um dos maiores elogios que Eça faz ao Colares, aparece em O Mandarim: «Ah!, que dia! Jantei num gabinete do Hotel Central, solitário e egoísta, com a mesa alastrada de Bordéus, Borgonha, Champagne, Reno, licores de todas as comunidades religiosas - como para matar uma sede de trinta anos! Mas só me fartei de Colares». É notória a preferência de Eça, na personagem Teodoro, pelo vinho de Colares, mesmo quando rodeado de outros vinhos tão famosos.

Em O Primo Basílio, para além das múltiplas referências à vila de Colares, também o vinho merece algum destaque. Ao retractar a mocidade da personagem central da obra, escreve o romancista: «Basílio tinha sido apenas um 'pândego' e, como tal, passara metodicamente por todos os episódios clássicos da estroinice lisboeta - partidas de monte até de madrugada com ricaços do Alentejo; uma tipóia despedaçada num sábado de touros; ceias repartidas com alguma velha Lola e uma antiga salada de lagosta; algumas pegas aplaudidas em Salvaterra ou na Alhandra; noitadas de bacalhau e Colares nas tabernas fadistas; muita guitarra; socos bem jogados à face atónita de um polícia; e uma profusão de gemas de ovos nas glórias do Entrudo». A partir de meados do século XIX, devido à enorme popularidade que atingiu o vinho de Colares, a produção não seria suficiente para abastecer todo o mercado. Em consequência, alguns comerciantes adulteravam o vinho genuíno, misturando-o com outros, e até acrescentando-lhe água e álcool. Eça de Queirós alude, em O Primo Basílio, a esse vinho adulterado: «Ele teve um sorriso infeliz. - Cear! Se se podia chamar cear ir ao Grémio rilhar um bife córneo e tragar um Colares peçonhento!» .

Nas recomendações que Rabecaz faz a Artur Corvelo, personagem central de A Capital, antes deste partir para Lisboa, o vinho de Colares também é incluído: «- Por exemplo, o amigo está num café com a rapaziada: arranja-se uma troça ao Dafundo, com boas pequenas... É preciso fazer saltar, pelo menos, seus três ou quatro mil-réis, para tipóia, pinguinha de Colares, etc...».

N'A Tragédia da Rua das Flores o vinho de Colares surge, pela primeira vez, na voz de Dâmaso que, ceando no 'Mata' com Vitor, pede ao taberneira o precioso líquido para acompanhar a comida: «- E Colares branco, ó Manuel!».

Desesperado com os ciúmes que lhe causava o caso entre Dâmaso e Genoveva, Vítor afoga as mágoas: «(...) bebeu uma garrafa de Colares, dois copos de conhaque: julgando-se interessante na sua dor e pensando em Alfred de Musset que, ele também se embebedava com álcool para esquecer as desilusões do amor humano».
Numa subtil alusão à nobreza do vinho de Colares, o pintor Camilo Serrão «(...) todo preocupado dos artistas da renascença e das suas maneiras régias, ofereceu a Genoveva maçãs e Colares; como Ticiano poderia ter oferecido as granadas de Tivoli com de Lacrima-Christi.».

Em Os Maias, as referências ao vinho de Colares multiplicam-se. De salientar o célebre jantar preparado pelo poeta Tomás de Alencar em Sintra, no Lawrence, bem regado com «grandes copos de Colares emborcados de um trago». E porque o vinho aqueceu os ânimos, perante as pálidas figuras de dois ingleses que o olhavam fixamente, o poeta exaltou-se: «- E, se aqueles ingleses continuam a embasbacar para mim, vai-se-lhes um copo na cara, e é aqui um vendaval, que há-de a Grã-Bretanha ficar sabendo o que é um poeta português!...».

De referir ainda a carta que Dâmaso Salcede escreve ao seu tio Guimarães, o «amigo de Gambetta», tentando cativá-lo: «O meu querido tio sabe como eu gosto de si, que até estava o ano passado com tenção, se soubesse a sua morada em Paris, de lhe mandar meia pipa de vinho de Colares».

Também em Uma Campanha Alegre, reunião dos textos de As Farpas, Eça faz larga menção ao vinho de Colares. Satirizando uma sessão da Câmara dos Deputados, oferece-nos uma recriação tipicamente queirosiana:

«O Sr. José Dias (batendo com a bengala sobre a mesa, a um contínuo): - Dois cafés! Um cabaz! Vozes (atravessando o corpo legislativo). - Salta meia de Colares!».

No descontentamento com a situação política que o país atravessava, Eça, cidadão atento e artista de pena afiada, remata assim o final da sessão:

«A Câmara sai, correndo, gritando, rebolando pelas escadas abaixo. Os contínuos levantam as garrafas de Colares».

Jaime Batalha Reis, recordando o seu convívio com Eça de Queirós, não deixa de registar a apetência deste por ceias acompanhadas a vinho de Colares. A propósito de um desses momentos em que cearam juntamente com João de Sá Nogueira, conta-nos Batalha Reis: «E íamos, com efeito, encontrar este nosso amigo, oficial do Ultramar, que à ceia nos contava - durante o bacalhau com batatas, o meio bife e o Colares - as pitorescas aventuras das sus viagens pelos sertões de Angola»

 

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publicado às 13:49

Colares e a Literatura

por Nuno Saraiva, em 29.03.06

Depois, picando com o garfo uma azeitona:- Pois é verdade, meu querido Gonçalo, lá estive nessa grande Capital, depois um dia em Sintra...O Mateus entreabriu a porta para recordar a S. Ex-a o amanuense do Governo Civil, que esperava.

— Pois que espere! — gritou S. Ex-a.Gonçalo lembrou que talvez o digno homem se impacientasse, com fome...

— Pois que almoce! — gritou S. Ex-a.Aquele seco desprezo de André pelo pobre empregado, esquecido no banco de entrada, com a sua pasta sobre os joelhos constrangia o Fidalgo. E espetando também uma azeitona:- Dizias então, Sintra...

— Sem sabor — resumiu André. — Poeirada horrenda, femeaço medíocre... E já meesquecia. Sabes quem lá encontrei, na estrada de Colares? O Castanheiro, o nosso Castanheiro, o dos ANAIS, de chapéu alto. Ergueu logo os braços ao céu, desolado: «E então esse Gonçalo Mendes Ramires não me manda o romance?» Parece que o primeironúmero da revista sai em Dezembro, e ele precisa o original em começos de Outubro... Lá me suplicou que te sacudisse, que te recordasse a glória dos Ramires. E tu deviasacabar a novela... Até convém que, antes de entrares na Câmara, apareça um trabalho teu, um trabalho sério, de erudição forte, bem português...

 

A Ilustre Casa de Ramires

de

Eça de Queirós

 

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publicado às 10:28

Colares e a literatura I

por Nuno Saraiva, em 17.06.05
A casa que habitavam situava-se numa pequena aldeia encantadora, o Penedo, e o jardim confinava com a vegetação da Serra. Outro elemento que ligava o caso a Sintra. Mas o que tornava assustadora a localização da moradia era a proximidade relativamente ao chamado Monte da Lua. "Os Novos Mistérios de Sintra" - Vários autores

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publicado às 14:02


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