Saltar para: Posts [1], Pesquisa e Arquivos [2]




Os ébrios

por Nuno Saraiva, em 07.01.17

transferir.jpg

 

Se olho em volta de mim, se paro, se contemplo,

Vejo abrir um bordel dentro de cada templo,

São cheios os quartéis, repletas as igrejas.

Os ébrios histriões e as ébrias colarejas

Cantam nas espirais do fundo sorvedoiro.

Cada corpo gentil vale um punhado d'oiro.

 

 

Guerra Junqueiro, A Morte de Dom João, Lello & Irmão, Lisboa,página 31

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 22:32

CasaBranca1227062014blog.jpg

 Gosto da minha rua. É uma destas ruas perpetuamente adormecidas, onde é raro ouvir o pregão duma colareja ou o rodar vibrante dum trem passando a trote. Não tem loja de vendas e as suas duas fileiras de casas são, condizentes com ela, tranquilas e quase soturnas. Ao rebentar da Primavare começam germinando entre as pedras da calçada tufozinhos de erva tenra, que, um dia, a vassoura da limpeza corta cerce e brutalmente. Não é de senhoras vizinhas e conversas de soalheiro. Os que a habitam são de génio pacato e acomodado, recolhem cedo e saem logo de casa para os seus afazeres, É uma rua boa para tristes e pessoas de idade, para quantos precisam de repouso e temem a perturbadora agitação dos outros.

André Brun, "Dez contos em Papel", Livraria Editora Guimarães, 1925

 

Foto de Pedro Macieira

Texto via Dias que voam

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 21:24

Região colareja

por Nuno Saraiva, em 03.09.07
Uma troca de e-mails levou-me a ler o seguinte post onde é apresentado o seguinte recorte:







Diz o destaque da notícia:

Fez-se no passado dia 7, com a honrosa presença do venerando(?) Presidente da República, Senhor General Carmona, e do Subsecretário de Estado das Corporações, Sr. Dr. Castro Fernandes, representando tão elevado melhoramento concelhio um exemplo de pertinácia, de sacrifício e amor bairrista, de um escasso punhado de homens, de boa vontade, com a aliança firme e indestrutível de Alberto Tota - cidadão número 1 da região colareja - a quem Sintra deve inestimáveis favores.



No jornal não apareceu região de Colares. Nem região colarense. Colareja - no feminino pois estamos a falar duma região.

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 23:50

Colareja

por Nuno Saraiva, em 16.10.06
Photobucket - Video and Image Hosting


Encontrei no Flickr esta foto tirada por alguém que assina CR. Colares, terra de dias húmidos. Quando aparece um solzinho há que aproveitar!

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 14:13

Colares

por Nuno Saraiva, em 09.06.05
Artigo no Mente Positiva em Julho de 2004 Colares hoje é prodiga em vivendas, e nascem vivendas em tudo o que é canto, mas outrora, há 40, 50, 100 anos, Colares foi muito importante na economia lisboeta.. Eram famosos, os vinhos, as maçãs e os pêssegos-rosa de Colares.. Estes últimos lembro-me de comer alguns quando era miúdo, com um sabor como nunca mais vim a encontrar.. Colares era o grande centro agrícola da região, e as mulheres de Colares iam para a Praça de Ribeira vender os seus produtos (cultivados pelas suas famílias). Havia uns distribuidores (os mais conhecidos eram os Irmãos Baetas, que mais tarde viriam a fundar os supermercados Baeta) que levavam para venda os produtos dos agricultores mais pequenos, e em troca compravam os bens que estes não tinham acesso a comprar: Arroz, petróleo, farinha, etc. Os vinhos ganharam muita fama e atraíram muita gente (O livro O Mistério na Estrada de Sintra de Eça de Queiroz e Ramalho Ortigão, conta a história de um fidalgo que foi a Colares comprar vinho). Um facto que apenas descobri no passado inverno, é que na altura, o mercado da ribeira era quase totalmente dominado por vendedoras de Colares, de tal modo que a palavra colareja, que numa primeira interpretação significa mulher de Colares, enraizou-se na lingua portuguesa como o que no calão designamos "mulher da praça" ou "peixeira". Segundo o dicionário Universal da Texto Editora: colareja: de Colares, n. pr. s. f., mulher que vende frutas e hortaliças nos mercados de Lisboa; regateira; mulher que discute grosseiramente. Aqui fica a história "oficial" da vila de Colares: Nas faldas da serra de Cintra, uma legua ao oeste da villa d'este nome, está sentada a villa de Collares à sombra de frondosos arvoredos. Pela encosta da serra sobranceira à povoação vão subindo algumas casas, quintas, e mattas de castanheiros. Inferior à villa estende-se um fertil valle, denominado a Varzea, todo coberto de pomares, e cortado pelo rio das Maçãs, que vae desaguar no oceano d'ahi uma legua. É pois sobremodo amena e deliciosa a situação de Collares. Quanto à sua origem pouco se sabe, só sim que é muito antiga, e que já existia no tempo dos romanos, porque d'isto dão testemunho muitas medalhas e inscripções romanas, que ahi teem sido encontradas. Tambem não consta o que passou sobas diversas dominações, a que esteve subjeita a Lusitania depois da queda do imperio romano. Provavelmente viu-se livre do jugo sarraceno ao mesmo tempo que a sua visinha Cintra, que foi resgatada por D.Affonso Henriques. El.rei D.Diniz deu foral a esta villa em Maio de 1255. D.João I fez doação d'ella ao condestavel D.Nuno Alvares Pereira em Agosto de 1385. Depois, passando successivamnete a differentes netos d'este heroe, veiu a pertencer à infanta D.Beatriz, mãe d'el-rei D.Manuel, pela morte da qual entrou Collares outra vez no dominio da coroa. Este ultimo monarcha deu-lhe então novo foral em Novembro de 1516, augmentando-lhe muito os antigos privilegios. Sobre a etymologia do nome de Collares, parece melhor opinião a que o deriva dos dois collos ou collinas, sobranceiros à Varzea, em que a villa está edificada. Collares teve tambem o seu antigo castello, e tão antigo que nada se sabe ao certo relativamente à sua fundação. No reinado d'el-rei D.Sebastião, e ja anteriormente, o senado da camara servia-se d'elle para diversos usos do ministerio publico. Porém no tempo dos Filippes de Castella, querendo D.Diniz de Mello e Castro, que foi bispo de Leiria, de Vizeu, e da Guarda, estabelecer n'esta villa a sua residencia, pediu e alcançou a posse do castello, que logo transformou em um palacio, juntando-lhe uma bella quinta, actualmente pertencentes a seus herdeiros. D'esta fortaleza provavelmente procedem as armas da villa, que são um castello entre arvores. Tem Collares uma só parochia dedicada a Nossa Senhora da Assumpção. A casa da misericordia foi fundada por D.Diniz de Mello e Castro. Nas proximidades da villa, em logar plano, mas um pouco mais alto, está o edificio do extincto convento de Sant'Anna, que pertenceu aos religiosos carmelitas. Deu principio a esta fundação frei Constantino Pereira, que morreu em 1465, e era sobrinho do condestavel D.Nuno Alvares Pereira. Na capella-mór da egreja está sepultado o seu padroeiro, o bispo D.Diniz, e n'outras sepulturas, em um carneiro, e em dois tumulos de marmore, varias pessoas da sua familia, entre as quaes se contam Antonio de Mello e Castro, e seu filho Caetano de Mello e Castro, ambos vice-reis do estado da India. Não muito distante de Collares, junto ao oceano, ergue-se a ermida da Peninha sobre um elevado rochedo. Diz a lenda, que, no tempo de D.João III, andando uma rapariga muda a pastorear n'esta serra varias ovelhinhas, lhe fugira uma, e depois de procurar, e apparecendo-lhe então ahi Nossa Senhora lhe deu falla. A narração do caso attrahiu logo áquelle sitio todos os povos das visinhanças. Descobriu-se entre as fendas da rocha uma imagem da Virgem, feita de pedra, que immediatamente foi transportada para uma antiga ermida de S.Saturnino, perto d'ahi. Desapparecendo, porém, a imagem por tres vezes, e indo-se sempre achar na mesma penedia, sobre esta se lhe construiu ao principio uma pobre ermida, que no anno de 1673 foi desfeita, e em seu logar edificou a actual Pedro da Conceição, gastando n'ella uma boa herança, que recebera, e fazendo-se ermitão de Nossa Senhora. É o templo pequeno e de humilde apparencia no exterior, porém interiormente é rico de materiaes e d'arte, pois que todas as paredes e o altar-mór são de marmores de côres em obra de mosaico. Os marmores foram tirados da mesma serra, a pouca distancia da ermida. este santuario é ainda hoje de bastante devoção, e concorrencia, porém outr'ora affluia ali muito maior numeros de fieis, e era visitado de muitos cirios e romagens. Pouco adiante de Collares fica o logar de Almocegeme, e perto d'ahi duas curiosidades naturaes dignas de se ver: a Pedra d'Alvidrar sobre o oceano, e o Fojo mais no interior. A villa de Collares é cercada de muitas e formosas quintas, das quaes só especialisaremosa de rio de Milho por encerrar a mais gigantesca e vicosa camelia, que ha em toda a Estremadura. O sitio chamada a Varzea é dos mais lindos e amenos dos arrebaldes da villa. As aguas do rio das Maçãs, represadas ahi em uma ponte de pedra, deixam gosar o prazer de navegar-se em um pequeno barco, que ali ha para esse fim, pelo rio acima até certa distancia, sempre entre pomares, e debaixo de copado arvoredo. A uma legua da villa está a praia das Maçãs sobre o oceano, onde termina o rio d'este nome, e o valle de Collares. Vão ali muitas famílias tomar banhos do mar na estação propria. O termo de Collares produz grande abundancia de excellentes fructas, que abastecem a capital, e se exportam para Inglaterra, e de vinhos, que são estimados, e se assimilham aos de Bordeus. Extrato do livro "As Villas de Cintra" Nota póstuma: sempre vivi com a idéia que os habitantes de Colares eram colarenses, mas há uns anos alguém me argumentou que a palavra correcta era colarejos. Segundo o dicionário Universal, colarense, não existe e define colarejo como: adj., que é de Colares ou que lhe diz respeito; s. m.,natural ou habitante de Colares.

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 14:10


Mais sobre mim

foto do autor




Posts mais comentados





Comunique e envie os seus comentários, o que gostou, o que acha que está mal, etc.


Colares, blog da semana!

Muzicons.com





Arquivo

  1. 2017
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2016
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2015
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2014
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2013
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2012
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D
  79. 2011
  80. J
  81. F
  82. M
  83. A
  84. M
  85. J
  86. J
  87. A
  88. S
  89. O
  90. N
  91. D
  92. 2010
  93. J
  94. F
  95. M
  96. A
  97. M
  98. J
  99. J
  100. A
  101. S
  102. O
  103. N
  104. D
  105. 2009
  106. J
  107. F
  108. M
  109. A
  110. M
  111. J
  112. J
  113. A
  114. S
  115. O
  116. N
  117. D
  118. 2008
  119. J
  120. F
  121. M
  122. A
  123. M
  124. J
  125. J
  126. A
  127. S
  128. O
  129. N
  130. D
  131. 2007
  132. J
  133. F
  134. M
  135. A
  136. M
  137. J
  138. J
  139. A
  140. S
  141. O
  142. N
  143. D
  144. 2006
  145. J
  146. F
  147. M
  148. A
  149. M
  150. J
  151. J
  152. A
  153. S
  154. O
  155. N
  156. D
  157. 2005
  158. J
  159. F
  160. M
  161. A
  162. M
  163. J
  164. J
  165. A
  166. S
  167. O
  168. N
  169. D