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Colares e as tradições. A malfadada ASAE

por Nuno Saraiva, em 11.04.08
Quem não se lembra daquele jogo que se espetava um lápis num círculo de papel, e caía cá em baixo uma bolinha. As vermelhas era um chocolates beras, as azuis um bom chocolate, e a preta e a branca eram coisas melhores?

Deve fazer parte do imaginário de todos os que nasceram antes de 70 e dos que viviam em pequenas aldeias e vilas, nascidos até 80.

Quem também se lembra, é Pedro Rolo Duarte:

No café da Dona Luísa, o “Café do Pinto”, no Penedo, de onde saía a deslumbrante “Galinha Corada”, eu apreciava mais três coisas: os matraquilhos, dispostos cá fora, estrategicamente, sob uma videira de “uva morangueira”; o televisor a preto e branco que mantinha a comunidade concentrada na imagem (permitindo-nos a nós, miudagem, o descarado roubo de pastilhas “Pirata” de um frasco adormecido sobre o balcão); e o pequeno terreiro das traseiras, onde se jogava “chinquilho” (não sei se assim se escreve, mas era assim que os mais velhos diziam chamar-se o “jogo da malha”).
Lembro-me perfeitamente do dia em que o Sr. Abílio, marido da Dona Luísa, me exibiu (lisboeta no Penedo, à época, era mais ou menos como artista dos “Morangos” nos dias de hoje...), a novidade daquele Verão (salvo erro) de 1972: um painel cheio de círculos pintados e um lápis agarrado a uma corda. Por um escudo, ou dois, perfurávamos um círculo daquele painel. Ao fazê-lo, libertávamos uma espécie de berlinde colorido. Consoante a sua cor, assim “ganhávamos” um chocolate desta ou daquela qualidade, ou se acaso nos “calhasse” uma das bolas raras, a preta e a branca, seríamos bafejados pela sorte de uma bola de futebol ou de um canivete. Um jogo divertidíssimo para todas as crianças da aldeia, a sensação daquele ano. Foi uma animação quando chegou ao Penedo...
... Trinta e tal anos depois, leio no “Público” que o “novo alvo da ASAE” são as “máquinas de chocolates”, sucedâneos desta minha velha diversão, com o superior argumento de que o cliente tem de perceber “a que teria direito antes de introduzir as moedas”...
À escala mínima das histórias que conto, eu era mais livre naquele tempo. O mundo parecia demasiado grande para a minha escassa dimensão – mas hoje, sendo bem mais diminuto, parece ridiculamente menos livre. Não me agrada o paradoxo, justamente pelo absurdo que encerra. Hoje é o jogo da sorte/azar no chocolate, o que será amanhã?


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publicado às 21:51


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