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Banda de Concerto

por Nuno Saraiva, em 22.03.07

No passado dia 10 de Março, a Banda dos Bombeiros Voluntários de Colares deu um concerto no Salão Nobre dos Bombeiros Voluntários de Colares em comemoração do seu 117º aniversário.

A notícia já é antiga, porém quis destacá-la aqui, com calma, pois tal concerto proporcionou-me a mim enquanto músico, uma experiência inédita. É que tanto quanto a minha memória permite recordar, nunca a banda tinha dado um concerto em que tanta gente estivesse atenta, e, mais importante, em silêncio.

Diferente também, foi a abordagem do Maestro Fernando Cosme Moreira, que antes de cada música, relatava um pouco da história do compositor e da música, fazendo lembrar o estilo de Rui Vieira Nery e o seu discurso muito interessante.

Uma das questões mais interessantes de discutir no seio da música filarmónica, é exactamente a missão, o papel das bandas filarmónicas. Devem estas andar na rua, marcando a festa, chegando a todos; ou pelo contrário, devem ter como desiderato a excelência musical, tentando fazer música o mais imaculadamente possível actuando apenas em recintos fechados?

Antes deste concerto, eu defendia que uma banda nunca deveria ser uma imitação duma orquestra. Concertos à porta fechada e em silêncio eram para orquestras; por sua vez, às bandas compete a vertente mais lúdica e de aproximação às pessoas: As arruadas, as procissões e os concertos historicamente a forma como as bandas chegam às pessoas e se exibem, mesmo que musicalmente nunca se consiga chegar à execução exímia.

A história das bandas filarmonicas confirma estes dados:

O repertório usado nestes primórdios terá sido, inicialmente, repertório "local", isto é,

composições de gente da própria banda e do seu regente, nomeadamente marchas de

desfile e de procissão, danças e canções populares; a pouco e pouco foram-se

generalizando arranjos de música popular já com melhor elaboração técnica;

apareceram depois as transcrições de peças orquestrais (aberturas e selecções de

óperas, de zarzuelas e, também, outros trechos das orquestras) que permitiam a

apresentação das bandas em concerto (entronca aqui o conceito da actividade cultural

das Bandas ).(Humberto Biu)

Porém, nas últimas décadas, principalmente pós 90 as festas populares têm vindo a perder importância na vida da sociedade e além disso também as bandas têm vindo a perder importância como centro da festa. Noutros tempos a passagem da banda era uma grande festa, hoje já assim não é.

Por muito que os amantes deste tipo de cultura tentei, é difícil lutar para "impor" algo que a sociedade não quer.

No concerto dos bombeiros e apesar de as condiçoes acústicas do palco não serem as ideais havia um ambiente intimista, silencioso e de público atento. O maestro, a pedido - salvo erro - de Maria da Graça Pedroso, explicou ligeiramente a história de cada música e também uma breve abordagem ao compositor (ao estilo de Rui Vieira Nery).

Há que pensar a fundo a missão duma banda de música. Porque qualquer coisa para existir tem que ter uma razão de ser. Fico com a sensação que as bandas de música amadoras têm que começar a orientar-se para os concertos devendo ser esse tipo de reportório o principal focus dos seus ensaios.

Só assim as bandas podem continuar a cumprir o seu papel social de possibilitar o encontro de pessoas sem discriminação de profissões ou raças que apenas pretendem ter alguma expressão artística ou mesmo um escape à rotina do dia-a-dia; e continuar a fazer com que se descubram novos talento que se tornarão profissionais.

Para isto é preciso trabalho e espírito de equipa.

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publicado às 16:31


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