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A família Colares

por Nuno Saraiva, em 01.07.08
A História da Família Collares

I

 

Este pequeno e singelo trabalho tem como objetivo, recuperar um pouco da História de uma família que passou grande parte de suas gerações sem deixar marcas no tempo.

Quero assim homenagear todos aqueles que contribuíram corajosamente neste mundo para trazer até as gerações presentes este sobrenome de gente simples mais acima de tudo honesta e hospitaleira.

 

II

Meus primeiros estudos mostram que a origem da família Collares, inicia-se no sul da França de onde nasce o Brasão do Clã Collares. Mais tarde ressurge com mais força no litoral de Portugal, onde hoje situa-se a cidade de Collares esta conhecida em Portugal como Villa de Collares tão antiga que já existia no tempo dos romanos, porque disto dão testemunho muitas medalhas e inscrições romanas que aí são encontradas. Provavelmente se viu livre do jugo sarraceno ao mesmo tempo que sua vizinha Cintra, que foi resgatada por Don Affonso Henriques por volta do ano de 1200.

Fica muito difícil alocar qualquer informação que possa aproximar, mesmo que distante, de remanescentes desta família nesta época.

Não temos informações que possam narrar com clareza a vinda dos primeiros Collares para o Brasil. Tudo que podemos apresentar é o surgimento do sobrenome no Estado do Rio Grande do Sul, mais tarde pode-se observar o aparecimento também em São Paulo, (Desembargador Alexandre Collares), Fortaleza/CE e em Belo Horizonte/MG. Não é possível sem um grande estudo, buscar a conexão entre as diversas ramificações existentes, mas para tanto seria necessário, antes de mais nada, juntar documentos históricos, hoje muito raros, para iniciar esse estudo.

 

III

Conta nos Jayme Collares Neto, em seus estudos históricos da família Collares do Estado do Rio Grande do Sul que seguindo seus antepassados conseguiu descobrir que os Collares da região de Bagé e do Uruguay pertencem a mesma família que vieram para Palmas, os quais em 1836 adquiriram vastas extensões de terras na região dos arroios Corrales e Queguay-Chico. Essas terras se situavam mais ou menos a meio caminho entre as cidades de Tacuarembó e Payssandú, no Uruguay, nas quais vivem até hoje boa parte de seus descendentes.

Os dois irmãos que em 1810-1820 vieram para as Palmas se chamavam José Luiz Colares e Leonardo José Colares. Eram naturais de Mostardas, município situado no litoral sul-rio-grandense, entre a Lagoa dos Patos e o Oceano Atlântico. Seu pai foi um comerciante Português que se chamava José Luiz Colares, que nasceu em 1751 na Vila de Colares, próximo a Lisboa, em Portugal. Seu nome de família era Luiz, mas ao vir para o Brasil ele acrescentou o sobrenome Colares, porque era inconveniente para um comerciante ter um nome comum, como José Luiz.

Esse, segundo nos relata Jayme Colares Neto, foi o primeiro a se assinar Colares no Rio Grande do Sul. Casou-se em 1788 com Anna Ignácia de Jesus, nascida em Mostardas em 1773, ano de fundação dessa cidade. Era filha de imigrantes açorianos, chegados ao Rio Grande do Sul no começo de 1752, vindos da Vila do Topo, na Ilha de São Jorge.

Além desses Colares já mencionados, existem ou existiram antigamente, pelo menos outras seis famílias Colares/Collares no Rio Grande do Sul, os quais são:

 

* Os Collares de São Simão (Mostardas) são primos cruzados dos primeiros acima citados, pois descendem de Gertrudes, a irmã dos dois Collares que foram para Palmas.

 

* Os Collares Índios de Santo Antônio da Patrulha. A única notícia da existência dessa família é o registro de batizado de Catarina, filha de um índio chamado Luiz Collares e de sua mulher Maria Rodrigues, datado de 1791. Possivelmente essa família se extinguiu. A existência desse índio chamado Luiz Collares em 1791 é um dos mistérios de nossa família que talvez jamais será esclarecido.

 

* Os Collares açorianos do Estreito. São um ramo da numerosa família açoriana Pereira Machado. Os seis órfãos de José Pereira Machado, falecido no Capão do Meio (Estreito) em 1793, acrescentaram Collares ao sobrenome em meados do século XIX. Alguns deles deixaram descendência em Mostardas e possivelmente também em Pelotas, mas não sabemos se tiveram continuidade. Por que toda uma família açoriana resolveu se chamar Collares é outro mistério para o qual não temos nenhuma explicação.

 

* Os Oliveira Collares de Mostardas. Assim se assinaram os quatro filhos de Generosa Maria de Oliveira, nascida em Santo Antônio da Patrulha, filha de um Barcellos. O Primeiro deles, José de Oliveira Collares, que aliás se tornaria proprietário de muitas terras, nasceu em Mostardas em 1846. Existem hoje alguns membros dessa família radicados em Mostardas e em Pelotas. Por que os quatro filhos dessa mulher se assinaram Collares, também não sabemos.

 

* Os Collares negros do Estreito e de Mostardas. Surgiram na época da abolição da escravatura (1888), principalmente no Bojuru (Estreito) e no Passo João Costa (Mostardas). Hoje são bastante numerosos. Talvez tivessem adotado o sobrenome Collares por ter sido esse sobrenome dos seus antigos senhores.

 

* Os Collares açorianos de Santo Antônio da Patrulha. São todos descendentes de um Tenente da Guarda Nacional, chamado José Luiz Collares, que em 1865 partiu para a Guerra do Paraguay, deixando sete filhos e filhas menores. Esse Tenente era, por parte da mãe primo-irmão dos dois Collares que foram para as Palmas.

 

Existem várias outras famílias Collares/Colares, em todo o Brasil. Parece que a mais antiga de todas é a do Ceará, cujos mais antigos antepassados teriam chegado ao Brasil em 1715, vindos também da Vila Colares. Essa família parece ser, também, a mais numerosa de todas. Seus descendentes se acham atualmente dispersos por quase todo o Brasil, do Ceará ao Rio de Janeiro.

Conta a tradição que teriam vindo para o Brasil, não somente um, mas dois irmãos Collares. Um deles teria ficado em Mostardas e o outro teria ido "para o norte".

Tudo que posso dizer a respeito dessa velha lenda é que pelo menos até o momento, não encontramos nenhuma prova da existência desse suposto irmão do primeiro Collares, nem dos seus descendentes.

 

Aqui, bem próximo de nós, existe uma numerosa família Collares na cidade de Sombrio, próximo a Laguna, em Santa Catarina. Esses Collares têm ligação com alguma das famílias Collares de Mostardas, mas até agora não pudemos determinar ao certo com qual daquelas famílias seriam eles descendentes. Seriam descendentes do tal lendário outro irmão de José Luiz? Eles lá contam que vieram de Portugal três irmãos: Um foi para Laguna, outro para a cidade de Rio Grande e o terceiro para Porto Alegre.

Esse foi o relato histórico dos estudos de Jayme Collares Neto, residente na cidade de Porto Alegre/RS.

Como pudemos observar é muito difícil estabelecermos uma ligação a partir de comentários e lendas oriundas de nossos antepassados sem nos atermos a documentos.

I

V

Origem dos Collares de Santa Catarina

Nos relatam alguns de nossos familiares mais antigos que o nome do primeiro Colares de Sombrio foi "Genuíno". É simplesmente impossível agregar fatos históricos a um simples nome. Foi preciso buscar mais fatos, mais histórias, até chegar num denominador comum. De fato todos os Colares de Sombrio, são descendentes da mesma pessoa. Isso é prova irrefutável. Diz os comentários gerais da parentela que: "Irineu é irmão de Luiz, que é irmão de Antonino, que é irmão de José, que é irmão de Januária, que é irmã de Docelyria, que é irmã de Sérgia, que é irmã de Júlia que é irmã de Juvenil. Ou seja todos são filhos e filhas de alguém. Só que Luiz, o segundo da relação nos levou a luz, vejam o que diz o texto de um Livro de Registro de Batismo dos arquivos antigos da Diocese de Tubarão: "Aos nove dias do mês de junho de mil oitocentos e setenta e três, nesta freguesia de Araranguá, baptizei e ministrei os santos óleos a Luiz ...filho legítimo de Genuíno Ignácio Collares e de Gertrudes Maria da Cunha, avós paternos (prejudicado) e Maria D’Oliviera e avós maternos, Luiz Antônio da Cunha e Marculina Monteiro Guimarães". Desta forma fica evidente que se os nomes mencionados acima são todos irmãos, então todos são filhos de Genuíno Ignácio Collares e de Gertrudes Maria da Cunha o que testifica que todos os Colares/Collares do sul de Santa Catarina são descendentes de Genuíno. O que não conseguimos até o presente e levantar qualquer tipo de informação sobre quem era o pai de Genuíno Ignácio Collares. A mãe já sabemos se tratar de Maria D’Oliveira, mas o pai não foi possível decifrar com clareza o nome escrito no livro de registro o que ficou bastante prejudicado a continuidade no retorno histórico de seus antecedentes. Sabemos no entanto por informações de um de seus tataranetos, Luiz Irineu Colares, que seu avô, Irineu, lhe contava que Genuíno, viera de Mostardas para estas bandas (Sombrio) com 22 anos de idade.

Genoíno Ignácio Collares, nasceu no ano de 1848, e faleceu aos 70 anos, em 1918, natural do Estado do Rio Grande do Sul, filho de IGNÁCIO COLLARES e GENEROSA BARCELOS DE OLIVEIRA.

Já Valdomiro Ramos, neto de Genuíno, filho de Docelyria da Cunha Colares, nos narrou em seu depoimento, que Genuíno lutava ao lado dos farroupilhas contra as forças imperiais defendendo os ideais de Bento Gonçalves. Segundo ele foi durante esse período que em uma batalha no litoral riograndense, as forças imperiais de Dom Pedro II, venceram e fizeram alguns farrapos prisioneiros, entre estes estava Genuíno, que após algum tempo feito prisioneiro conseguiu escapar e se pôs em fuga para o norte, vindo a se estabelecer ao norte da lagoa do Sombrio, onde ali já estavam fixadas algumas famílias, dentre elas as de João José de Guimarães e Luiz Antônio da Cunha.

Estes fatos históricos narrados por Valdomiro Ramos (Tio Miro), não foi mencionado por nenhum outro seu descendente, haja vista que Tio Miro, como é conhecido por seus parentes, tinha 92 anos quando nos relatou essas informações. Não são conclusivas todas essas narrativas, absolutamente. Todas as informações ainda se encontram em fase de estudos, novos fatos precisam ser estudados e juntados para que possamos formar este quebra-cabeças, jamais montados na história da família. Todos os depoimentos tem sua importância histórica e merecem serem trazidos as novas gerações.

 

FILHOS DE GENUÍNO IGNÁCIO COLLARES E GERTRUDES MARIA DA CUNHA.

Luiz da Cunha Collares
Nascido em 11 de Junho de 1873.

Antonino da Cunha Collares
Nascido no ano de 1875

Irineu da Cunha Collares
Nascido no ano de 1877

José da Cunha Collares

Juvenil da Cunha Collares

Nascido no ano de 1889

Januária da Cunha Collares

Docelyria da Cunha Collares

Júlia da Cunha Collares

Sérgia da Cunha Collares

Esta forma a grande família deixada por Genuíno e Gertrudes, muito ainda precisamos pesquisar para montar a Árvore Genealógica da Família Collares, entretanto, já estamos bastante avançados e com o auxílio de todos os familiares conseguiremos concluir nosso trabalho.

 

Um trabalho de Edy Colares (Havia copiado deste link http://www.geocities.com/edycolares/

 que deixou de estar disponível)

 

 

 

 

À atenção de Solange Colares

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 23:30


119 comentários

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De TADEU COLARES a 26.01.2014 às 18:34

Gustavo, sou Tadeu Colares, tenho qurenta anos a mais do que você. Nascido em Fortaleza e desde criança minha tia nos contava que eramos descendentes de dois irmãos que que teriam vindo de um lugar chamado Colares da região de Sintra e se estabelecido em Belem do Pará. Não sabia que teriam sido três. E que um dels emigrou para o ceará por motivo de saúde. Mas outra versão de que um outro grupo de Colares que teria ido para o RGS; Tenho parentes em Belo Horizonte e no Rio de Janeiro. Meu pai era primo de Idelfonso Colares que morava na Av. Duque de Caxias aí em fortaleza.
Meu primo Manoel Jorge de Oliveira Colares que foi para Belem na decada de 50 esteve numa convenção de lojistas pois era presidente da entidade em Belem e que esteve com Alceu Colares, então `Prefeito de Porto Alegra salvo engano e chegaram a conclusão que eram de ramo diferente da familia, mas creuio que todos são originais da região de Sintra de uma Vila chamada Colares de pouco mais de cinco mil habitantes, onde estive lá uma vez.
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De aureliana colares a 01.11.2016 às 18:22

oi meu nome é Aureliana colares moro em aratuba CE tenho um tio que faleceu com esse nome Idelfonso Colares ai em fortaleza.Bom tenho muito interesse em saber do meu sobrenome colares e sei que o primeiro a chegar aqui em Aratuba fui Julião Colares.Se alguém tiver mais informações sobre os Colares do ceara me fale.
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De JOSE TADEU COLARES a 02.11.2016 às 16:00

Cara Aureliana: Primeiro, como soube deste meu email!? Há uma coincidência incrível! Ildelfonso Colares que morava em Fortaleza, dono de uma fábrica de mosaicos e cujas filhas eram amigas de minha esposa quando estudantes. Ele era primo de meu pai,Jose Expedito Colares, natural de Maranguape onde muitos Colares moravam e havia casamentos com os Paula de lá. Você diz ter muito interesse em saber do sobrenome Colares.Há um outro Colares que era jornalista e tinha um irmão Salesiano aqui no Recife e primos de meu pai. Sobre este Julião Colares, nada sei. Todavia pesquisei e tenho muitas informações. Como faço pra transferir esses dados coletados para você? Há vários ramos com este sobrenome. Há um ramo de origem francesa mas pouco sei. Estive em Sintra, Portugal e a 06 km fica a Cidade de Colares (sic) com uns 5 mil habitantes. Daí vieram alguns Colares que explica o sobrenome: havia um costume português de adotar como sobrenome o da cidade de origem. Há os Colares de BH que eram tios de meu pai; bem como no Rio.Os de Porto Alegre, Alceu Colares, sei que não são parentes, pois meu primo Manoel Jorge Vieira Colares, esteve com ele e assim descobriu não ter nenhum parentesco. Este Manoel Jorge migrou pra Belem quando eu ainda era garoto e teve vários filhos. Era comerciante lojista e faleceu no ano passado. Há muitos Colares em Belém do Pará que foi a cidade onde chegaram os primeiros Colares (eram dois irmãos) e um foi pro Ceará. Possivelmente esses pioneiros teriam chegado por volta de 1789 ou 1879.
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De JOSE TADEU COLARES a 03.11.2016 às 13:44

Aos Colares que adentrarem neste blog.
Vejo que estamos girando sobre quase as mesmas versões com pequenas variações a respeito da origem da Família Colares ou Collares. Assim sendo, creio que só através de uma pesquisa mais acurada através de consultas em cartórios de registro civil e diretamente aos familiares com este sobrenome, será possível se ir mais a fundo; e cruzando as diversas árvores genealógicas se chegará a conclusões mais abalizadas e portanto com bases científicas. Assim sugiro aos diversos interessados fazermos uma pesquisa individual e repassando para o SAPO e assim poderemos agregar dados mais coerentes e confiáveis. Seria assim: verificar os nomes de Colares em sua cidade, consultá-los sobre seus parentes ascendentes e irmos formando uma árvore dos antepassados.
Eu não sou especialista neste tipo de pesquisa mas alguém pode dar outras sugestões melhores. Consultar cartórios é penoso pois implica autorização, paciência do pesquisador e uma metodologia das anotações do que for encontrado.
Quando estive na cidade de Colares (sic), próximo de Sintra, Portugal, não encontrei ninguém com sobrenome Colares ou Collares. Aí já começa uma dificuldade intrigante pois haveria de ter alguma família com este sobrenome neste lugar que me surpreendeu pelo número de habitantes. As consultas feitas rodaram em torno de cinco mil habitantes talvez mais.
O que há de comum em todas as versões é a presença de dois ou três Colares vindos para o Brasil. E este ponto é muito obscuro pois ninguém conseguiu identificar o nome completo desses dois ou três que devem ter vindo com famílias já formadas.
Outra questão é a diversidade de Colares pelo Brasil afora e a dificuldade de associá-los a um grupo comum e à sua origem. Outra questão é que nós brasileiros não temos uma tradição arraigada de se registrar os nomes de nossos ascendentes de bisavós para trás.
Uma outra sugestão: consultar pessoas de famílias que conseguiram organizar a sua árvore genealógica como o fizeram.
Aguardo melhores sugestões.
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De jayme collares a 25.11.2016 às 01:43

Olá amigo José Tadeu,
Achei excelente tuas análises, a questão é essa mesma que tu colocastes.
Sobre o Julião Collares, tenho a satisfação de te informar que o clássico livro de Silva Leme, "Genealogia Paulista", cita um Julião Rodrigues Collares no ano de 1765 (se não me falha a memória), quando uma filha dele se casou em São Paulo.
O fato é que muitas pessoas que vieram da Vila de Colares em Portugal para o Brasil adotaram por sobrenome Colares ou Collares.
Como a Vila de Colares em Portugal sempre foi muito pequena, é possível que todos nós, Colares ou Collares brasileiros, sejamos parentes.
Todavia, também é fato de que existem, no Brasil, famílias Colares ou Collares que adotaram esse sobrenome por influência de outros Colares ou Collares mais antigos, que vieram da Vila de Colares, em Portugal.
A família do Alceu de Deus Collares é um exemplo. Essa família "pegou" o sobrenome Collares de uma família Collares que tem origem em Portugal.
Tu tens toda razão, portanto, em pedir que cada um tente montar sua própria árvore genealógica, e, assim, remontar às suas verdadeiras origens.
Ao que eu saiba, a única família Collares do Brasil que conseguiu fazer isso foi a minha, cuja história eu conto no site www.familiacollares.com.
Nesse site, aliás, eu divulgo minhas pesquisas sobre outras famílias Collares surgidas no Rio Grande do Sul, e dou algumas notícias sobre os Collares do Nordeste.
Bem, acho que isso é tudo o que eu teria para tentar colaborar com teu projeto.
Um forte abraço deste teu amigo e talvez parente,
Jayme
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De Tadeu Colares a 30.11.2016 às 15:04

Caro Jayme Collares, a medida que se vai trocando informações, os diversos "troncos da árvore" vão se definindo. Pelos Colares; não incluo aqui os meus parentes, percebo inúmeras "origens" que não se ligam.Por exemplo, meu primo Manoel Jorge Vieira Colares, há pouco falecido em Belém; foi pra lá na década de 50 ainda bem jovem após uma conversa com meu pai que o incentivou a "tentar a vida" no Norte e se transformou num próspero comerciante.
Ele como Lojista esteve com Alceu Colares, então Prefeito de Porto Alegre e chegaram a conclusão que não tinham nenhum parentesco. Como professor num Colégio Marista do Recife tive dois alunos com este sobrenome e conversando com seus pais, concluímos não sermos parentes. Creio que voltamos àquela tradição lusitana dos imigrantes adotarem como sobrenome a cidade de origem. Todavia, sabe-se que de modo aleatório, era comum pessoas se "apropriarem" de algum sobrenome para ter alguma referência que lhe desse algum status... Pra minha surpresa quando estive na Vila de Colares, próximo a Cintra percebi que sua população não passava de uns cinco a seis mil habitantes, segundo os estudantes com os quais tive contato. Então imaginei quanto seriam os habitantes da Vila, nos idos do século XVIII (?) que justificasse a vinda de tantos "patrícios pras bandas" de cá. Esta referência me veio agora ao lembrar-me do livro "1434: O ano em que uma magnífica frota chinesa velejou para a Itália e deu início ao Renascimento" (sic) do historiador inglês Gavin Menzies, quando fala da origem dos inúmeros "aventureiros" espanhóis que se tornaram "heróis" no Novo Mundo, como Pizarro, Francisco Orellana, Balboa, Quesada e De Soto, eram oriundos duma região de Espanha, afamada como símbolo de atraso, denominada Estremadura; um lugar sem futuro pra ninguém que de tão má fama até Cervantes escolheu seu herói burlesco daquela terra. Mas a Vila de Colares, embora pequena era um lugar aprazível e "hermoso" e bom pra se viver. Então por que tantos se aventuraram no Novo Mundo? Fica esta pergunta no ar.


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De jayme collares a 05.12.2016 às 08:09

Prezado Tadeu,
Em 1763 os espanhóis de Buenos Ayres (hoje capital da Argentina) invadiram o hoje Estado do Rio Grande do Sul e ocuparam a cidade de Rio Grande. Portugal, que na época tinha que cuidar de numerosas colônias no mundo todo, não tinha população suficiente para formar e enviar um exército para expulsar os invasores. A solução encontrada pelo Marquês de Pombal, então uma espécie de primeiro-ministro do rei de Portugal, foi recrutar jovens portugueses de 16 anos, que eram literalmente arrancados à força dos seus lares. Esse recrutamento brutal ocorreu em 1767. Nesse ano, meu pentavô português, José Luís, tinha 16 anos, e morava na Vila de Colares, que fica próxima a Lisboa. Não tenho nenhuma prova de que ele veio ao Brasil num daqueles 4 batalhões recrutados à força pelo Marquês de Pombal e enviados ao Brasil em 1767, mas acho que, mesmo que a história não tenha sido exatamente essa, ela serve para dar uma ideia de como a pequena Vila de Colares, pôde, sim, ter sido a origem das tantas famílias Colares que apareceram no Brasil.
Outro motivo para essa "emigração à força" era o fato da criminalização de comportamentos banais como "beijar em público". Um homem beijar sua mulher em público era crime punível com degredo para alguma colônia na África, na Ásia ou no Brasil. Não duvido, portanto, que alguns dos primitivos habitantes de Colares tenham sido forçados a emigrar para o Brasil, como "degredados".
Havia também o caso dos judeus, quer dizer, dos "cristãos-novos", como se chamavam em Portugal os judeus que haviam sido convertidos (praticamente à força) para o catolicismo, mas que continavam a ser discriminados. Houve muita gente portuguesa que veio para o Brasil para fugir da perseguição contra os "cristãos-novos".
Por exemplo: em 1685, um cristão-novo, oriundo da Vila de Colares, embarcou de Portugal para a Colônia do Sacramento, povoação portuguesa fundada em 1680 no sul do hoje Uruguay. Seu navio foi aprisionado pelos espanhóis e ele foi levado a Buenos Ayres, onde deu origem a uma família Colares, que foi provavelmente a mais antiga família Colares de todo o continente americano. Seu sobrenome Colares desapareceu há mais de cem anos, mas seus descendentes se multiplicaram.
Enfim, o que quero dizer é que não acho nada surpreendente que de uma pequena vila portuguesa, como a Vila de Colares, tenham partido tantos emigrantes para o Brasil. Uns à força, outros por vontade própria. E em alguns casos - acho que não mais de três ou quatro - esses emigrantes adotaram Colares como sobrenome. E depois surgiram outras famílias Colares, mas já aqui no Brasil, por influência dos primeiros.
E isso explica também o fato de que, na própria Vila de Colares, não existe nenhuma família Colares. Os poucos Colares que existem em Portugal são descendentes de pessoas que saíram da Vila de Colares e foram morar em Lisboa, ou na linha de Cascais e outros pontos próximos. Como nós todos, eles adotaram o sobrenome Colares em homenagem à Vila de Colares, por terem saído de lá.
Por isso que acho equivocado dois Colares acharem que são parentes só porque têm o mesmo sobrenome. Até pode ser, mas isso precisa de provas, pois o sobrenome Colares é sempre adotado, não existe isso que tu chamas um "tronco" de uma "árvore" comum. Existem várias famílias Colares (ou Collares, não importa) no mundo todo. E, ao que eu saiba, só uma delas - os Collares de Bagé - montou toda a sua árvore genealógica.
Isso obviamente não quer dizer que os Collares de Bagé sejam mais importantes, nada disso. O que quero dizer é que só os Collares de Bagé conhecem sua origem, que é um certo José Luís, que nasceu na Vila de Colares em 1751 e que veio para o Brasil em 1783, quando adotou o sobrenome Colares, passando a chamar-se José Luís Colares.
O que as demais famílias Colares têm que fazer é montar sua árvore genealógica e, assim, identificar a sua origem, e o seu verdadeiro parentesco com outras famílias Colares.
Abraço forte,
Jayme
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De Tadeu Colares a 05.12.2016 às 16:31

Caro Jayme. A informação que tenho repassada por uma tia é que dois colares vindos de Portugal coincide as datas com estes de Bagé. É curiosa esta datas tão próximas. A dificuldade é que não se conseguiu confirmar documentalmente esta minha informação repassada por esta tia idosa nos idos da década de 1950. Esta sua informação com o envio de jovens à força por Pombal é nova para mim e explica, pois, em parte, esta revoada toda de oriundos da Vila de Colares. Eu havia ficado intrigado, pois a Vila de Colares é um lugar muito aprazível e florescente o que me parecia não explicar a saída de tantos para o Novo Mundo, como ao contrário, aconteceu com vários conquistadores espanhóis oriundos da Estremadura, região pobre, árida e acossada constantemente por invasores islâmicos na época. Daí minha comparação que era incongruente com a situação da Vila.
Abraço e aproveito para lhe enviar os votos de um Feliz Natal e um Ano Novo menos cheio de agruras para nosso país neste ano.
Tadeu Colares

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