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Faleceu o Padre António

por Nuno Saraiva, em 22.06.08

O Padre António Emílio, que em 1977 me baptizou.

 

Padre António Emílio: uma luz que se apagou

 

Conheci o padre António Emílio Martins de Figueiredo, em Colares, decorria o ano de 1976, recém-chegado de Alfama onde for a pároco de Santo Estevão  e S. Miguel.

Já de meia-idade, transparecia nele a força, a serenidade e a sabedoria que somente um percurso de vida intensamente preenchido de trabalho, de conhecimento, de sensibilidade e de amor ao próximo consegue transmitir. Mais tarde, viria a perceber porquê.

Era um homem simples, culto mas acessível, despojado de bens materiais, conhecedor como ninguém da natureza humana e sempre perto daqueles que mais deles precisavam; ou pelas agruras da vida, ou por fazerem a caminhada longe da sua Igreja para onde ele sempre os chamou, sem que disso se apercebessem.

Natural de Tornada, cantou a “missa nova” em Julho de 1953, iniciando uma vida ao serviço dos outros por vários caminhos que o trouxeram até Colares e depois a Algueirão – Mem Martins.

 (…)

Após o 25 de Abril, por escolha de professores e alunos, regressa à Casa Pia como director da secção de Pina Manique, cargo do qual se demitiu, a seu pedido, por não concordar com a política determinada pela provedoria, apesar de um ano de intenso trabalho na tentativa de remodelação dos métodos educativos da casa.

 

Homem de grandes preocupações sociais

 

Em Colares, deixou vários testemunhos do que foi a sua acção como pároco e homem de grandes preocupações sociais.

Conduziu importantes obras de restauro na Igreja Matriz e na Igreja de Almoçageme, levou a paroquia a adquirir o terreno para a construção da Igreja da Azóia e foi o fundador do Centro Social, com a assinatura do acordo de cooperação com a Segurança Social, que teve por base o jardim de infância do Externato Paroquial.

Por essa altura, promoveu o alargamento das instalações do jardim de infância então existente com a construção de um edifício próprio e inaugurou a extensão do Centro Social em Almoçageme, após obras  de remodelação da antiga “Cada da Brincadeira” contígua à igreja.

Retoma então novamente a sua actividade como professor na escola da Sarrazola, onde desperta nos alunos um renovado interesse pela disciplina de Religião e Moral, enchendo as aulas de alegria e de canções, dinamiza grupos de jovens com uma linguagem nova, conseguindo assim reunir à sua volta muito adolescentes.

Na freguesia de Algeirão – Mem Martins despediu-se do nosso concelho.

Não sem que antes voltasse a deixar marcas importantes; na mobilização dos jovens, apoiando a instalação pela paróquia de um estúdio de rádio e de um mini-estúdio de televisão e vídeo, no incentivo à criação de grupos corais, no desenvolvimento de intensa actividade religiosa, cultural e social e, mesmo convalescente de doença grave, na construção do Centro Social Paroquial.

Do município de Sintra, recebeu em 1992 e 1997 as medalhas de outro e de prata, pelos serviços prestados nas freguesias de Colares e de Algeirão – Mem Martins, respectivamente.

Em 1999, foi a vez da Câmara Municipal das Caldas da Rainha o distinguir com a atribuição da medalha de ouro do concelho.

O padre António Emílio despediu-se de todos nós no passado Sábado, dia 22, vésperas do Domingo de Páscoa.

Já muito debilitado, passou os seus últimos tempos num lar para idosos bas Caldas da Rainha, na companhia de sua irmã, sempre presente.

Morreu rodeado da maior simplicidade. Exactamente como sempre quis que fosse a sua vida.

 

Graça Pedroso

Jornal de Sintra

4 de Abril de 2008

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publicado às 19:25


1 comentário

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De Joana Andrade e Sousa Lamas a 21.02.2009 às 11:33

Fiquei muito chocada com esta notícia. Conheci o Pe. António, que era amigo da nossa família e tinha programado o dia para ir visitá-lo, embora tivesse perdido todos os contactos. Por uma pesquisa no google vim dar ao seu blog e deparei-me com a notícia da sua morte. Fico sem palavras, pois também gostava muito dele e foi ele que baptizou as minhas irmãs e deu força à minha família quando mais precisavamos.
De qualquer modo, é bom saber que partiu em paz.

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